terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Entrevista - CM de Alenquer

Fica aqui o essencial desta entrevista do nosso Ricardinho:
Participou no programa Operação Triunfo da RTP. Como surgiu a ideia e que balanço faz dessa participação?
Eu sempre fui um fã da Operação Triunfo. Acompanhei todas as edições portuguesas e também as espanholas e achava que era um programa em que me revia. Tive a oportunidade de participar nos castings da Operação Triunfo 2 mas, como estava no 12.º ano na altura, achei que isso implicaria mudar o curso dos estudos e então desisti da ideia. Estive inscrito mas não fui. E também porque não me sentia preparado. Acabada a Operação Triunfo o balanço que faço é muito positivo. Conheci pessoas que têm o mesmo amor pela música que eu tenho e, acima de tudo, aprendi imenso e obtive muitos conhecimentos. Foi muito bom porque eu não tinha bem a noção das coisas que era capaz de fazer. A Operação Triunfo também me trouxe mais segurança e ensinou-me a acreditar em mim próprio.
Terminou esta edição em segundo lugar. Estava à espera deste resultado?
Não estava à espera porque nunca tinha participado em nada deste género. Nem sequer estava à espera de passar do primeiro casting. Era tanta gente naquela sala… Eu só tinha 20 segundos para cantar. Lembro-me que quem estava na mesa do júri era a Paula Oliveira. Eu cantei duas linhas de uma música de Zeca Afonso, ela mandou-me logo sentar e eu pensei que não tinha passado. Mas fui passando todas as fases e foi uma surpresa entrar na escola e muito bom chegar ao fim sem nunca ter sido nomeado. Acho que essa é a minha principal vitória. Eu sabia que o terceiro lugar era garantido e mentalizei-me disso na última semana do programa. Por isso ter ficado em segundo ainda foi melhor.
E conquistou este lugar sem nunca ter tido formação musical…
Exacto. Nunca frequentei o Conservatório de Música, enquanto que o Nuno já lá estava há cinco anos e a Vânia tinha o curso completo.
Considera que ter tido amigos e familiares a assistir às galas se reflectiu na sua prestação?
Sem dúvida. Nós tínhamos ensaios à sexta-feira e ao sábado. Nesses ensaios não há público e eu, quando cantava, tinha sempre aquela sensação de que podia ter feito melhor. No entanto, quando tinha assistência, havia ali uma troca de energia e de força muito positiva que me beneficiou nas actuações. Eu pensava: “As pessoas estão aqui para me ver. Tenho aqui a minha família, os meus amigos e, por isso, vou dar o dobro ou o triplo”. Tive sempre aquela sensação de que tinha de cumprir o meu dever, que era transmitir às pessoas aquilo que eu tinha cá dentro.
Pensa dedicar-se à música a tempo inteiro ou não pretende deixar de lado a enfermagem?
Neste momento quero dar à música o mesmo tempo e o mesmo espaço que dei à enfermagem. Eu fiz a licenciatura toda sem deixar cadeiras para trás. Sempre fui responsável no que diz respeito aos estudos e agora quero fazer o mesmo em relação à música. Quero continuar a apostar na formação porque acho que tenho muito para aprender. Houve coisas que eu descobri na Operação Triunfo que quero continuar a trabalhar, coisas que eu agora dou muita importância. Por exemplo eu achava que saber ler música não me trazia grandes vantagens mas agora penso de maneira diferente. E acho também que aprender a tocar um instrumento musical é uma mais-valia para poder compor as minhas canções. Eu escrevo bastante mas falta-me acompanhar a escrita com a composição de músicas. Quero dar às pessoas aquilo que elas me pedem na rua - um CD - e manter as pessoas informadas da minha caminhada como cantor.
Que géneros musicais gosta mais de cantar? Como se define como cantor?
Quando entrei para a Operação Triunfo achava que o meu género era o pop rock. Saio do programa completamente baralhado porque experimentei tantos estilos de música diferentes, que acabaram por encaixar bem em mim, e agora não sei muito bem o que quero fazer. Sei que quero continuar a experimentar. Quanto mais estilos diferentes experimentar, melhor. Quem sabe se o primeiro disco não é uma mistura de vários.
E quanto a projectos musicais futuros?
O Festival da Canção é um deles. Quando eu era mais novo, gostava muito de ver o Festival da Canção e agora vou ser um dos 10 finalistas. O convite surgiu de um telefonema do produtor Renato Júnior. Este ano dez produtores escolhem um intérprete e o Renato, com quem eu já tinha trabalhado antes, porque ele é o dono dos estúdios onde gravámos os CD da Operação Triunfo, ligou-me e eu disse logo que sim. Já marcámos uma reunião para falar sobre o tipo de música que pretendemos apresentar. Ficou acordado que eu escreveria a letra e que ele iria compor a música. Quero levar uma coisa que seja a minha cara e com a qual eu me identifique. E que tenha qualidade para ser mostrada no nosso país primeiro e depois, se o público decidir, lá fora. De resto tenho alguns espectáculos marcados, dois aqui em Alenquer: um na Semana da Juventude e outro na Feira da Ascensão. É muito bom poder actuar aqui porque é uma oportunidade de estar com as pessoas da minha terra.

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